Acerca de mim
Há quem diga que a vida se divide em antes e depois.
No meu caso, essa linha começou a desenhar-se cedo demais.
Hoje, sou terapeuta de desenvolvimento, mentora, coach, programadora neurolinguista e, acima de tudo, uma eterna estudante das terapias e do comportamento humano, em constante formação para servir melhor quem caminha comigo.
Acompanho pessoas que se sentem perdidas na própria história a reencontrar direção, chão e dignidade emocional, reconstruindo a relação consigo mesmas e com quem amam.
Mas antes de chegar aqui, eu também me perdi — e fui fundo.
A Dor…
Aos 12 anos, via-me rodeada de uma família mergulhada na depressão.
Eu acreditava, com a ingenuidade e o peso de uma criança, que tinha a missão de salvar toda a gente.
Carregava no corpo pequeno a fantasia de ser a luz naquela casa escura.
Com o tempo, aprendi da forma mais dura que uma maçã boa, colocada entre maçãs apodrecidas, não as cura: apenas corre o risco de se estragar com elas.
Foi aí que o meu mundo começou a ficar a preto e branco.
A música que me acalmava era violenta, as palavras que eu guardava saíam em explosões, e o meu corpo transformou-se em arma para descarregar aquilo que eu não sabia sentir.
Descarregava nos outros, e depois batia em mim mesma por dentro, cheia de remorsos por estar afastada de tudo o que um dia tinha significado “lar” — a casa, a família, a sensação de ter um lugar que não era aquele.
A única coisa que ainda me mantinha de pé era não querer ver o meu irmão pior.
Por mim, eu já tinha desistido.
O Inicio da Mudança
Por volta dos 15 anos, encontrei as terapias.
Descobri que existia um outra forma de olhar a dor, de entender a mente, de aceder ás emoções e cuidar delas, de me reencontrar.
Mas quem estava à minha volta não estava preparado para essa mudança.
Sentir, questionar, pedir ajuda e querer quebrar padrões foi visto como rebeldia.
Cortaram-me o caminho; disseram-me, de formas diretas e subtis, que era melhor calar, engolir, aguentar.
Por fora, parei. Por dentro, não. E quem me conhece sabe que eu não sou de desistir.
Em silêncio, continuei a alimentar a minha mente com frases que me devolviam a esperança, que me faziam sonhar acordada com o lugar que eu queria chegar.
Guardei, como quem guarda uma chama no meio do vento e da chuva, a certeza de que um dia seria livre para ser eu mesma — inteira, sem máscaras e sem rótulos emprestados, mas precisava de guardar isso para mim.
Aos 19 anos, saí de casa.
Acreditei que, ao atravessar a porta, deixaria para trás a dor.
Em vez disso, encontrei-me com tudo aquilo que já carregava e ainda não tinha percebido.
A minha vida parecia na lama: trabalhos que não faziam sentido e uma relação com os meus pais ainda carregada de maus-tratos psicológicos, que alimentava uma aprendizagem antiga, profundamente enraizada em mim — a de não pedir ajuda, de engolir tudo sozinha e de não me sentir merecedora de cuidado.
Cada dia parecia cavar um pouco mais o buraco.
Até que eu recordei de algo que já me tinha sido ensinado: aquilo que penso é a base da realidade que crio.
Este pensamento dava-me o direito á escolha – de deixar que as circunstancias e os outros fossem o autor da minha vida e passar a ser eu mesma.
Decidi mudar as músicas que ouvia, as histórias que repetia dentro da minha cabeça e as frases que dizia a mim mesma.
E, sobretudo, decidi fazer algo que durante anos me foi proibido: pedi ajuda.
Foi então que conheci uma terapeuta que nunca mais esqueci.
Uma mulher que segurou-me no meio do caos e não desistiu de mim, mesmo quando eu própria já não via saída.
Eu olhava à minha volta e via destroços, sentia que tinha destruído tudo.
Ela convidou-me a fazer algo novo: em vez de ficar presa a olhar para trás ou para o buraco onde eu estava, pediu-me que começasse a olhar para onde eu queria chegar.
Passo a passo, comecei a erguer-me.
Mudei de trabalho.
Inscrevi-me em formações.
Comecei a estudar terapia com o mesmo zelo com que, em criança, tentei salvar a minha família.
Desta vez, não para salvar os outros, mas para aprender a salvar-me a mim — no único sentido maduro dessa palavra: responsabilizar-me pela minha história, pelo meu mundo interno, pela vida que eu queria construir, percebi que tinha que me perdoar por ter-me permitido viver o que vivi e não ter colocado logo um “chega”!
Esse caminho levou-me a Lisboa.
Não fugi… fui à minha procura.
Fui para me encontrar, para me ouvir, para sentir quem eu era sem as etiquetas que me tinham colado à pele, sem os abusos que me tinham ensinado a considerar “normais”.
Lá, vivi com uma amiga que foi AMIGA em maiúsculas.
Para além da minha terapeuta, ela via-me no dia a dia: via os meus sabotadores de perto, chamava-os pelo nome e não me deixava escorregar de volta para a passividade.
Ela obrigava-me, com amor e firmeza, a reagir, a colocar limites, a dizer “basta”, a perceber que eu precisava de deixar o passado no lugar dele para poder construir um presente diferente.
Fui desmontando, com paciência e dor, os rótulos que me tinham imposto.
A cada conversa, a cada sessão, a cada confronto, uma camada antiga caía.
Quando finalmente senti que conseguia respirar à superfície, ofereci a mim mesma um presente: uma viagem a Moçambique.
Eu sabia que, naquele lugar, encontraria pessoas que, mesmo com tão pouco, se recusavam a desistir.
Precisava de aprender com elas a olhar a vida com um outro olhar.
Em Moçambique, vi crianças a rir com quase nada, mulheres a dançar com corpos cansados e homens a lutar, dia após dia, por dignidade.
Ali, a frase que tinha germinado aos 15 anos ganhou raízes profundas dentro de mim:
não é a circunstância que define a minha vida; é o que eu faço com o que eu tenho.
Ao voltar, eu já não era a mesma.
O Que a Dor Transformou
Mergulhei ainda mais fundo no estudo das terapias e da Programação Neurolinguística.
Cada curso que terminava trazia não só conhecimentos, mas uma nova camada de responsabilidade: eu só atendia o que sentia estar preparada para segurar.
Comecei com uma ou duas pessoas, depois mais algumas.
As histórias começaram a chegar pela mão de quem falava de mim: “vai falar com ela, ela vai saber ouvir-te”.
Aos 21 anos, o meu trabalho começou a ser conhecido de forma orgânica, na vida real, antes de qualquer presença digital.
Aos 23, já atendia como terapeuta; aos 24, já casada, decidi deixar o “trabalho seguro” e dedicar-me de corpo inteiro a terapia.
Hoje, quando olho para trás, vejo a minha marca — discreta, mas profunda — na vida de centenas de pessoas com quem tive a honra de caminhar.
Não vendo milagres. Até porque, como eu costumo dizer, se eu fizesse milagres Cristo não tinha vindo á Terra.
Não prometo que a tua dor desapareça num estalar de dedos.
O que te ofereço é outra coisa: um espaço onde deixas de ser problema para voltar a ser protagonista.
Um lugar onde as tuas emoções não são defeito, mas bússola.
Onde histórias como a minha e a tua — de depressão familiar, culpa, abusos, silêncio, auto-agressão, tentativas de salvar todos — são finalmente vistas com respeito, contexto e responsabilidade, em vez de julgamento.
A Terapeuta que eu sou hoje
Na minha sala, seja física ou online, uno o rigor das ferramentas que estudo com a verdade da vida que vivi.
Há sessões que são mergulhos profundos; outras, um fio de luz que se abre um abraço mesmo á distancia que aconchega.
Em todas, mantenho o mesmo compromisso: não reduzir ninguém á sua história, aos seus erros. Nós não somos definidos por isso, nós somos quem quisermos ser!
Acredito que aquilo que pensamos, sentimos e escolhemos todos os dias pode transformar a nossa trajetória — não para apagar o passado, mas para integrá-lo de forma a deixarmos de ser reféns dele, para vê-lo com um novo olhar!
E acredito, sobretudo, que ninguém é “caso perdido” quando decide, de verdade, cuidar do seu mundo interno.
Se, ao ler a minha história, algo em ti se reconhece — aquela menina que tentou salvar a casa inteira, o adolescente que se perdeu em música e raiva, o adulto que nunca aprendeu a pedir ajuda — talvez este seja o momento de fazer o caminho que eu um dia decidi fazer: parar de viver em função da dor e começar a construir, com o que tens hoje, uma vida que valha a pena habitar.
Eu não vou caminhar por ti.
Mas, se escolheres, posso caminhar contigo ao teu lado, sendo a mão que um dia foram para mim!